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Como nosso cérebro fica depois de horas nas telas?

Celular, tablet, televisão, videogame… As telas fazem parte da rotina das crianças e dos adolescentes e, quando usadas de forma equilibrada, podem ter funções educativas, de entretenimento e até de socialização. Mas o que acontece com o cérebro quando uma criança passa muitas horas seguidas diante das telas? O cérebro infantil está em constante desenvolvimento e responde aos estímulos que recebe ao longo do dia. Quando há exposição prolongada às telas — especialmente quando ela substitui sono, brincadeiras, atividade física e interação presencial — diferentes aspectos da rotina e do desenvolvimento podem ser afetados. O cérebro fica “cansado” depois de muito tempo de tela? Depois de horas recebendo estímulos visuais e sonoros, algumas crianças podem apresentar dificuldade para desacelerar e mudar o foco para atividades menos estimulantes. Isso pode aparecer no dia a dia como irritabilidade, dificuldade de concentração, inquietação ou resistência para interromper o uso do aparelho. Não significa que a tela esteja simplesmente “estragando” o cérebro. O mais importante é observar quanto tempo a criança passa conectada, o tipo de conteúdo consumido, a idade e o que esse tempo está substituindo na rotina. E o sono? Esse é um dos pontos que merece atenção. O uso de telas próximo ao horário de dormir pode dificultar a preparação para o sono, tanto pela exposição à luz quanto pelo nível de estímulo provocado pelos conteúdos. Uma criança que dorme menos ou tem um sono de pior qualidade pode apresentar no dia seguinte mais cansaço, irritabilidade e dificuldade de atenção e aprendizagem. Por isso, criar uma rotina mais tranquila antes de dormir e reduzir o uso de eletrônicos nesse período pode fazer diferença. Nem todo tempo de tela é igual Assistir a um conteúdo educativo acompanhado pelos pais é diferente de passar horas alternando rapidamente entre vídeos curtos, jogos e redes sociais. Por isso, além de contar minutos e horas, vale observar: O que a criança está assistindo? Ela consegue parar quando solicitado? A tela está ocupando o espaço das brincadeiras, do movimento, das refeições em família ou do sono? Há interação com outras pessoas ao longo do dia? Essas perguntas ajudam a avaliar a relação da criança com a tecnologia de uma maneira mais completa. O equilíbrio continua sendo o mais importante As telas não precisam ser tratadas como inimigas. Elas fazem parte da realidade das famílias e podem ser utilizadas de maneira saudável quando existem limites e acompanhamento. Brincar, conversar, ler, praticar atividades físicas, dormir adequadamente e conviver com outras pessoas continuam sendo experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil. Se você percebe que o uso das telas está interferindo no sono, comportamento, aprendizado ou rotina do seu filho, converse com o pediatra. A orientação pode ser individualizada de acordo com a idade e as necessidades de cada criança. Dra. Mônica Picchi | PediatraCuidando do desenvolvimento e da saúde das crianças em cada fase da infância.