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Uso das telas e o impacto no desenvolvimento infantil: o que pais e responsáveis precisam saber

O uso de celulares, tablets, computadores e televisores faz parte da rotina da maioria das famílias. Embora a tecnologia ofereça oportunidades de aprendizado e entretenimento, o excesso de tempo em frente às telas pode interferir diretamente no desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social das crianças. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis compreendam como estabelecer limites saudáveis desde os primeiros anos de vida. Como o excesso de telas afeta o desenvolvimento infantil? Durante a infância, o cérebro está em constante desenvolvimento. É justamente nessa fase que as experiências vividas moldam habilidades essenciais, como linguagem, atenção, memória, criatividade e interação social. Quando o tempo de tela substitui atividades importantes, como brincar, explorar o ambiente, conversar com a família e praticar atividades físicas, alguns prejuízos podem surgir. Os principais impactos incluem: Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem; Dificuldade de concentração e atenção; Alterações no sono; Redução da criatividade e do brincar livre; Menor interação social e familiar; Sedentarismo e aumento do risco de obesidade infantil; Irritabilidade, ansiedade e dificuldade em lidar com frustrações. A importância do brincar Brincar continua sendo uma das formas mais importantes de aprendizagem durante a infância. Ao brincar, a criança desenvolve: Coordenação motora; Imaginação e criatividade; Linguagem; Resolução de problemas; Inteligência emocional; Habilidades sociais. Nenhum aplicativo ou vídeo consegue substituir as experiências proporcionadas pelas brincadeiras, pelas conversas e pelo contato com outras pessoas. O que dizem as recomendações? As principais sociedades de pediatria recomendam que o uso das telas seja feito com equilíbrio e de acordo com a idade da criança. De forma geral: Até 2 anos: evitar o uso de telas, exceto para chamadas de vídeo com familiares. De 2 a 5 anos: limitar o tempo de tela a cerca de 1 hora por dia, sempre com conteúdo de qualidade e supervisão dos responsáveis. A partir dos 6 anos: estabelecer limites consistentes, equilibrando o uso da tecnologia com atividades físicas, leitura, estudos, convivência familiar e momentos de lazer. Mais importante do que apenas controlar o tempo é acompanhar o conteúdo consumido e incentivar hábitos saudáveis. Como criar uma relação saudável com a tecnologia? Algumas atitudes fazem toda a diferença: Estabeleça horários para o uso das telas. Evite celulares e tablets durante as refeições. Não permita o uso de telas antes de dormir. Incentive brincadeiras ao ar livre e atividades físicas. Leia livros junto com a criança. Reserve momentos de interação em família sem aparelhos eletrônicos. Seja exemplo: crianças aprendem observando o comportamento dos adultos. O equilíbrio é o melhor caminho A tecnologia faz parte da vida moderna e pode ser uma grande aliada quando utilizada com responsabilidade. O segredo não está em proibir completamente o uso das telas, mas em garantir que elas não substituam experiências fundamentais para o crescimento saudável da criança. O acompanhamento da família, aliado às orientações do pediatra, é essencial para promover um desenvolvimento físico, emocional e cognitivo adequado em cada fase da infância. Dra. Mônica Picchi – Pediatra Cada criança possui necessidades e características próprias. Em caso de dúvidas sobre desenvolvimento infantil, comportamento ou uso de telas, procure orientação com o pediatra. O acompanhamento regular permite identificar precocemente possíveis alterações e promover um crescimento saudável e feliz.

Efeito Mateus: atenção aos riscos para as crianças

“Sai da frente da TV e vai ver o céu, menino”, conclamava a vovó, incomodada com o tempo que o netinho estava parado diante de uma tela.  Ah! A vovó não aceitava que o neto ficasse “sem gastar energia”, “sem interagir com a natureza”, “sem brincar com os amigos”. Desconfiava que tinha alguma coisa errada: “tem caroço nesse angu”. Hoje, o caroço nesse angu tem o nome de ‘Efeito Mateus’. O “Efeito Mateus” é um fenômeno observado em estatísticas e análises econômicas, que descreve como as diferenças e desequilíbrios tendem a se ampliar durante períodos de crescimento econômico ou recuperação após uma crise. O termo deriva de uma passagem do Novo Testamento da Bíblia cristã, no Evangelho de Mateus, onde Jesus diz: “Pois a quem tem, mais será dado, e terá em abundância. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado”. Essa passagem é frequentemente interpretada como uma reflexão sobre a dinâmica das desigualdades sociais. Em períodos de crescimento econômico as desigualdades podem se agravar, perpetuando um ciclo sem fim e aumentando as disparidades sociais. Michel Desmurget* aplica esse conceito ao analisar a importância dos efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, em especial na idade entre 0 e 6 anos, causados pela exposição inadequada às telas. Nessa faixa etária ocorre um enorme crescimento do tecido neural, extraordinário na formação de sinapses, fundamentais para o processo de aprendizagem e memorização. A analogia se estabelece ao afirmar que o comprometimento do crescimento e maturação desse sistema, nessa faixa etária, determina um patamar para aquisições futuras aquém do que poderia ter sido estabelecido. Portanto, quaisquer fatores que interfiram nesse desenvolvimento, sequestram oportunidades, são “ladrões de tempo oportuno e insubstituível”. As telas são descritas como as “grandes vilãs” quanto ao uso desse bem primordial e essencial – o tempo. Elas competem, nas 24 horas do dia, com outras utilizações melhores e mais saudáveis para o desenvolvimento infantil. Esse é o ponto. É uma falácia bastante disseminada que uma criança que é estimulada ao uso precoce das diversas mídias terá uma performance melhor em sua vida futura, tanto acadêmica, quanto profissional. Podemos afirmar, sem risco de errar, que essa melhora, por exemplo com o treinamento continuado nos videogames, produz apenas melhores jogadores de videogames, sem repercutir em outras habilidades. O que é essencial é a qualidade dos estímulos recebidos por uma criança. Nenhum programa de TV, como Vila Sésamo, Peppa Pig ou equivalente, será um estímulo melhor do que a criança brincar com jogos de encaixar, multicoloridos, contando com a interação de um adulto que as supervisione. É a tese do livro de Michel Desmurget: “As crianças precisam que falemos com elas, leiamos histórias para elas, que ganhem e leiam livros. Elas precisam se “entediar”, “ter tempo para não fazer nada”, brincar, montar quebra-cabeças, construir casas com blocos, correr, pular, cantar. Elas necessitam desenhar, praticar atividades físicas, ouvir músicas, tocar instrumentos, etc. Todas essas atividades (e muitas outras semelhantes) constroem seu cérebro de forma mais segura e eficaz do que qualquer tela recreativa. Dito de outra maneira, a criança não se tornará um deficiente no mundo digital porque não foi exposta às telas durante os seis primeiros anos de sua vida. Ao contrário. O que ela desenvolverá longe das telas a ajudará a melhor utilizar o que o digital pode oferecer de positivo”. Há os que subestimam, ou não acreditam nisso. Resgato, como alerta, uma frase veiculada pela Academia Americana de Pediatria: “Se não sabemos que algo é bom e há razões para acreditar que é mau, por que fazê-lo?” (**) Listo para terminar, os principais problemas médicos, relacionados com a exposição inadequada às telas, que podem afetar a saúde das crianças e adolescentes: Dependência digital e uso problemático das mídias interativas; Problemas de saúde mental: irritabilidade, ansiedade e depressão; Transtornos do déficit de atenção e hiperatividade; Transtornos do sono; Transtornos de alimentação: sobrepeso/obesidade e anorexia/bulimia; Sedentarismo e falta da prática de exercícios; Bullying & cyberbullying; Transtornos da imagem corporal e da autoestima; Riscos da sexualidade, nudez, sexting, abuso sexual, estupro virtual; Comportamentos autolesivos, indução e riscos de suicídio; Aumento da violência, abusos e fatalidades; Problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador; Problemas auditivos e PAIR (perda auditiva induzida pelo ruído); Transtornos posturais e musculoesqueléticos; Uso de nicotina, vaping, bebidas alcoólicas, maconha, anabolizantes e outras drogas.   Saiba mais: * A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças. Michel Desmurget. São Paulo: Vestígio, 2023. ** Falck RS et al. What is the association between behaviour and cognitive function? A systematic review. British Journal of Sports Medicine, 2017; 51. Fonte: Blog Pediatra Orienta da SPSP

Bronquiolite – Compartilhando experiências

Em nosso bate-papo, eu (@dramonica.picchi) e @bella_faria , mamãe do Cadu, compartilhamos nossa jornada através da bronquiolite. 💬💕 Venha conferir os desafios que enfrentamos e como superamos essa fase delicada. Assista a essa história e compartilhe com outros pais que possam ser ajudados. Juntos, podemos oferecer o apoio e encorajamento que nossos bebês precisam! ✅ Lembre-se: siga sua intuição e consulte o pediatra de sua confiança. Uma mãe bem orientada e confiante nas informações recebidas faz toda a diferença.