O medo faz parte do desenvolvimento infantil. Em diferentes fases da infância, é comum que as crianças tenham medo do escuro, de ficar sozinhas, de pessoas desconhecidas, de determinados animais, de situações novas ou até de coisas que existem apenas na imaginação.
Mas você já se perguntou o que acontece no cérebro da criança quando ela sente medo?
Entender esse processo ajuda pais e responsáveis a acolherem essa emoção de maneira mais consciente e a ensinarem a criança, aos poucos, a lidar com aquilo que sente.
O que acontece no cérebro quando sentimos medo?
Quando o cérebro identifica algo como uma possível ameaça, uma região chamada amígdala cerebral participa rapidamente da resposta emocional.
É como se um sistema de alerta fosse ativado.
O organismo se prepara para reagir: o coração pode bater mais rápido, a respiração pode mudar, os músculos ficam mais tensos e a criança pode sentir vontade de fugir, chorar, procurar os pais ou evitar determinada situação.
Essas reações não significam necessariamente que exista um perigo real. O cérebro pode disparar esse alerta simplesmente porque interpretou determinada situação como ameaçadora.
Por que o medo pode parecer tão intenso para uma criança?
O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento.
Áreas relacionadas à regulação emocional, ao planejamento e à avaliação das situações amadurecem progressivamente ao longo da infância e da adolescência.
Por isso, algo que parece simples ou inofensivo para um adulto pode ser percebido de maneira completamente diferente pela criança.
Quando ela diz que está com medo, aquela emoção é real para ela.
Frases como “não precisa ter medo”, “isso não é nada” ou “você já está grande para isso” podem não ajudar, porque não ensinam a criança a compreender o que está acontecendo dentro dela.
Como os adultos podem ajudar?
O primeiro passo é acolher antes de tentar corrigir ou eliminar o medo.
Você pode ajudar a criança a identificar o que está sentindo, conversar sobre aquilo que provocou a emoção e transmitir segurança.
Dizer algo como “Eu percebi que isso te deixou com medo. Estou aqui com você” pode ser mais acolhedor do que simplesmente dizer que não existe motivo para sentir medo.
Com segurança, vínculo e experiências positivas, a criança pode aprender gradualmente que determinadas situações não representam uma ameaça.
Sentir medo também é importante
Apesar de desconfortável, o medo possui uma função importante: ajudar a nos proteger diante de possíveis perigos.
O objetivo, portanto, não é criar uma criança que nunca tenha medo, mas ajudá-la a desenvolver recursos para reconhecer essa emoção e aprender a lidar com ela de maneira saudável.
Quando o medo merece mais atenção?
Alguns medos são esperados durante o desenvolvimento. Porém, é importante observar quando eles se tornam muito intensos, persistentes ou começam a interferir significativamente na rotina da criança.
Por exemplo, quando o medo prejudica o sono, a alimentação, a ida à escola, as relações sociais ou impede a criança de realizar atividades adequadas para sua idade.
Nessas situações, conversar com o pediatra pode ajudar a avaliar o contexto e orientar a família sobre os próximos passos.
Dra. Mônica Picchi | Pediatra
Informação também é uma forma de cuidar. Acompanhar o desenvolvimento emocional da criança faz parte de um olhar integral para a saúde infantil.